sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Entre a criatividade e o exibicionismo do Jazz Fusion


O Fusion teve sua imagem deturpada por malabaristas que ao executarem padrões rítmicos exóticos e harmonias dissonantes já se intitulam como Jazz Fusion. A melodia é deixada de lado, pois na verdade o que importa é impressionar com a técnica apurada. Seria muita prepotência definir esse gênero tão peculiar, mas ao mesmo tempo dar exemplos que ajudariam o leitor a se questionar se o que já escutou enquadrara-se nesse gênero não seria nenhum pecado. Um exemplo claro e a fonte bebida por vários mestres contemporâneos do Jazz seria o álbum duplo Bitches Brew do trompetista Miles Davis.  É um álbum que vem para marcar a nova sonoridade que ditou os rumos do Jazz a partir dos anos 70, contando com nomes como Chick Corea, John McLaughlin, Jack DeJohnette, Dave Holland  e Wayne Shorter  só para citar alguns nomes de grandes e hoje cultuados mestres do gênero. E com isso também se dá outra revolução que é a utilização de instrumentos elétricos:  a guitarra, o baixo e os pianos elétricos como o famoso Fender Rhodes. Outros discos dereferencia dessa época que são resultados dessa nova experiência de vida seriam: My Goals Beyond ( John McLaughlin), My Spanish Heart ( Chick Corea ) e Crossings (Herbie Hancock.  É inegável a grande influencia do rock ( também do funk) desde a instrumentação a padrões de pulsação, mas isso trouxe também o lado midiático para o jazz pois os discos tinham que ser vendidos, e com isso clichês e mais clichês foram sendo repetidos, repetidos e repetidos. Os anos 80 foram onde nomes como Spyro Gyra e Yellowjackets  seguiram o mesmo padrão e tornaram a sonoridade mais “acessível” ao ouvinte, e com isso surge um novo mercado muito lucrativo ate hoje na musica: O Signature! Pedal X foi utilizado por baterista Y ou guitarra tal foi utilizada por fulano naquele solo onde o baixista utilizava baixo com tantas cordas. Um exemplo claro dessa influencia mercadológicas são as grandes feiras de musica, onde diversas marcas brigam pelo espaço no coração do consumidor utilizando instrumentistas cada vez mais virtuoses, mexendo com a imaginação e sonhos de milhões. E não para por ai, sabe aquele vídeo do japonês de dez anos que já toca sua musica favorita de cabeça pra baixo e te deixa de boca aberta? É também outro fruto da parte comercial do Fusion de querer sempre impressionar cada vez mais cedo.  Num prazo de curto de 30 anos o Jazz Fusion deixou de ser uma grande ferramenta experimental onde músicos conscientes e sonhadores buscavam simplesmente transformar ideias em musica para ser tornar mais uma forma de produto exibicionista. Cabe a cada um tirar suas próprias conclusões baseados nas observações sonoras e históricas e assim separar o que é circo e o que é musica.