Na
marginalidade caminha a inovação. Longe do poderio massificador, central e
hegemônico dos conceitos fossilizados e pré-conceituosos está a inovação. A
medida que se desloca da zona marginal e começa a se adentrar ao centro do
salão da dança, vai se tornando também sem graça repetindo a mesma fórmula que
a fez tão aceita. Assim se torna tradicional. Quão bom é ser exótico, causar
espanto e surpresas ao ponto de ser motivo de estudos e análises de diversas áreas
da ciência, da arte e da religião. Quão bom é ser familiar de uma minoria
também marginalizada e amadora que reúne mentes fervilhantes prontas a utilizar
seu poder criativo para assim mudar formas cristalizadas do pensar e do agir.
Amador, aquele que ama o que faz. A salvação do ostracismo ponto de vista da
inovação veio, e vem em diversos pontos da história do marginal, Galileu Galilei
que o diga quando discordou do grande Aristóteles dizendo que não era o peso
que faziam que diferentes corpos caíssem a diferentes velocidades - (Galileu
demonstrou que a velocidade dos corpos aumenta em taxas iguais, não importando
seu peso). Miles Davis foi altamente divergente ao ponto de chegar em meio ao
movimento Bebop e lançar em 1959 o álbum “Kind of Blue” onde a primeira faixa
era harmonizada por dois acordes (Dm7 por 16 compassos, Ebm7 por 8compassos e
novamente Dm7 por 8 compassos). Toda inovação é válida? A partir do momento que
a marginalidade cria ela também está predisposta a caminhos totalmente novos,
por esse motivo a perda dos sentidos de direção é fato dentro de muitos
movimentos marginais. O belíssimo movimento Punk que teve origem na Inglaterra,
foi tão mal direcionado por seus viventes, que de certa forma foi também
absorvido e ridicularizado pelo centro hegemônico, haja visto que a cada
esquina é encontrado um individuo de moicano, e que escutar Ramones é tido por
muitos uma atitude punk. Toda inovação é válida, mas nem sempre traz mudanças
significativas a caminho da evolução. Interessante é que até as inovações segue
padrões hegemônicos em dias atuais, na maioria dos casos elas têm que ser sustentáveis,
ecologicamente corretas e com a preocupação de não ferir os direitos humanos.
As inovações são caretas. Onde se encontra aquela parte marginalizada que não é
vista com bons olhos? Homo sapiens
sapiens, ele sabe que sabe. Quão arrogante é esse título dado por nós para nós
mesmos, confundimos o progresso tecnológico tão familiar com suas redes sem fio
e automóveis que planam com o conceito de evolução da espécie. Na verdade os
que evoluem são a minoria, o restante é puxado para executar o trabalho braçal.
Numa análise a ser discorrida a posteriori fica a questão: Existe inovação mais
marginalizada do que a própria evolução humana?