terça-feira, 14 de maio de 2013

Caminho marginal




Na marginalidade caminha a inovação. Longe do poderio massificador, central e hegemônico dos conceitos fossilizados e pré-conceituosos está a inovação. A medida que se desloca da zona marginal e começa a se adentrar ao centro do salão da dança, vai se tornando também sem graça repetindo a mesma fórmula que a fez tão aceita. Assim se torna tradicional. Quão bom é ser exótico, causar espanto e surpresas ao ponto de ser motivo de estudos e análises de diversas áreas da ciência, da arte e da religião. Quão bom é ser familiar de uma minoria também marginalizada e amadora que reúne mentes fervilhantes prontas a utilizar seu poder criativo para assim mudar formas cristalizadas do pensar e do agir. Amador, aquele que ama o que faz. A salvação do ostracismo ponto de vista da inovação veio, e vem em diversos pontos da história do marginal, Galileu Galilei que o diga quando discordou do grande Aristóteles dizendo que não era o peso que faziam que diferentes corpos caíssem a diferentes velocidades - (Galileu demonstrou que a velocidade dos corpos aumenta em taxas iguais, não importando seu peso). Miles Davis foi altamente divergente ao ponto de chegar em meio ao movimento Bebop e lançar em 1959 o álbum “Kind of Blue” onde a primeira faixa era harmonizada por dois acordes (Dm7 por 16 compassos, Ebm7 por 8compassos e novamente Dm7 por 8 compassos). Toda inovação é válida? A partir do momento que a marginalidade cria ela também está predisposta a caminhos totalmente novos, por esse motivo a perda dos sentidos de direção é fato dentro de muitos movimentos marginais. O belíssimo movimento Punk que teve origem na Inglaterra, foi tão mal direcionado por seus viventes, que de certa forma foi também absorvido e ridicularizado pelo centro hegemônico, haja visto que a cada esquina é encontrado um individuo de moicano, e que escutar Ramones é tido por muitos uma atitude punk. Toda inovação é válida, mas nem sempre traz mudanças significativas a caminho da evolução. Interessante é que até as inovações segue padrões hegemônicos em dias atuais, na maioria dos casos elas têm que ser sustentáveis, ecologicamente corretas e com a preocupação de não ferir os direitos humanos. As inovações são caretas. Onde se encontra aquela parte marginalizada que não é vista com bons olhos?  Homo sapiens sapiens, ele sabe que sabe. Quão arrogante é esse título dado por nós para nós mesmos, confundimos o progresso tecnológico tão familiar com suas redes sem fio e automóveis que planam com o conceito de evolução da espécie. Na verdade os que evoluem são a minoria, o restante é puxado para executar o trabalho braçal. Numa análise a ser discorrida a posteriori fica a questão: Existe inovação mais marginalizada do que a própria evolução humana?