A musica "Como uma onda no mar" do compositor Lulu
Santos foi regravada pela cantora Leila Pinheiro no disco "Coisas do Brasil" de 1993. Ate ai tudo bem, se o arranjador do álbum não fosse nada mais nada
menos que o nosso grandioso Cesar Camargo Mariano. É incrível como o resultado
desse arranjo foi belo, tenho em vista a dificuldade imensa que é encontrada em
se trabalhar novamente um Hit pop nacional. César executou essa tarefa com maestria.
Isso sim é fazer arranjo, isso sim é contar a mesma historia de uma forma tão
incrível quanto à primeira vez, isto sim é surpreender utilizando os mesmo
argumentos. Como a própria letra quer dizer: tudo se renova constantemente! O
andamento lento no inicio, uma pegada puxada para o bolero na segunda parte,
uma interpretação mais doce e outra vez com mais presença, o solo de metais, os
brakes e intervenções que fazem lembrar a quebra da onda na praia, o diálogo da voz com todos os outros instrumentos,
o final em Fade out indicando a calmaria das águas. Tudo nesse arranjo indica a
maturidade e a genialidade de um arranjador como Cesar amargo Mariano! Após esse turbilhão de maravilhosas informações penso numa questão que é
levantada sempre a mim: Por que caminhos anda a musica instrumental no Brasil?
Vemos hoje uma leva muito interessante de grandes instrumentistas executando
cada vez mais seus respectivos instrumentos com excelência, improvisadores que
não deixam nada a dever músicos norte americanos e do mundo inteiro. Mas ate
onde esse trabalho mais de execução manual (visão individual de quem escreve
esse texto) irá saciar realmente o desejo por inovação? Ate quando o estudo
criativo será deixado de lado por solos gigantescos, equipamentos de outro
mundo ou simplesmente por dinheiro? Ao escutar os novos discos da musica
instrumental nacional é notório a atenção que é dada ao improviso e também o
descaso com a melodia, o arranjo, a instrumentação e etc. No final de tudo a
sua própria maneira, a musica instrumental com o passar dos anos vem se tornado
uma mercadoria pop, sendo cada produção um padrão de maravilhosos
instrumentistas, sonoridade perfeita e uma corrida incessante pela
demonstração. Com isso tudo soa igual, todos os discos são iguais, os formatos são iguais, quase não a melodia, e quando a existe são cacos incompreensíveis sem
nenhum nexo claro. Em resumo hoje a musica instrumental brasileira passa por um
momento de mesmice e sonolência, cabe a cada um, apreciador, observar e tirar suas
próprias conclusões desse cenário se possível, não deixando cair no ostracismo
o bem maior de um artista: A criatividade! Link da musica "Como uma onda no mar" do disco "Coisas do Brasil" http://www.youtube.com/watch?v=HR8RZHyu298
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