quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Instrumental Pop Brasil

A musica "Como uma onda no mar" do compositor Lulu Santos  foi regravada pela cantora Leila Pinheiro no disco "Coisas do Brasil" de 1993. Ate ai tudo bem, se o arranjador do álbum não fosse nada mais nada menos que o nosso grandioso Cesar Camargo Mariano. É incrível como o resultado desse arranjo foi belo, tenho em vista a dificuldade imensa que é encontrada em se trabalhar novamente um Hit pop nacional. César executou essa tarefa com maestria. Isso sim é fazer arranjo, isso sim é contar a mesma historia de uma forma tão incrível quanto à primeira vez, isto sim é surpreender utilizando os mesmo argumentos. Como a própria letra quer dizer: tudo se renova constantemente! O andamento lento no inicio, uma pegada puxada para o bolero na segunda parte, uma interpretação mais doce e outra vez com mais presença, o solo de metais, os brakes e intervenções que fazem lembrar a quebra da onda na praia, o diálogo da voz com todos os outros instrumentos, o final em Fade out indicando a calmaria das águas. Tudo nesse arranjo indica a maturidade e a genialidade de um arranjador como Cesar amargo Mariano! Após esse turbilhão de maravilhosas informações penso numa questão que é levantada sempre a mim: Por que caminhos anda a musica instrumental no Brasil? Vemos hoje uma leva muito interessante de grandes instrumentistas executando cada vez mais seus respectivos instrumentos com excelência, improvisadores que não deixam nada a dever músicos norte americanos e do mundo inteiro. Mas ate onde esse trabalho mais de execução manual (visão individual de quem escreve esse texto) irá saciar realmente o desejo por inovação? Ate quando o estudo criativo será deixado de lado por solos gigantescos, equipamentos de outro mundo ou simplesmente por dinheiro? Ao escutar os novos discos da musica instrumental nacional é notório a atenção que é dada ao improviso e também o descaso com a melodia, o arranjo, a instrumentação e etc. No final de tudo a sua própria maneira, a musica instrumental com o passar dos anos vem se tornado uma mercadoria pop, sendo cada produção um padrão de maravilhosos instrumentistas, sonoridade perfeita e uma corrida incessante pela demonstração. Com isso tudo soa igual, todos os discos são iguais, os formatos são iguais, quase não a melodia, e quando a existe são cacos incompreensíveis sem nenhum nexo claro. Em resumo hoje a musica instrumental brasileira passa por um momento de mesmice e sonolência, cabe a cada um, apreciador, observar e tirar suas próprias conclusões desse cenário se possível, não deixando cair no ostracismo o bem maior de um artista: A criatividade! Link da musica "Como uma onda no mar" do disco "Coisas do Brasil" http://www.youtube.com/watch?v=HR8RZHyu298

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