A
razão acadêmica por muitas vezes é extremamente burocrática e lenta para
aceitar novas ideias de linguagem científica? O orgulho é um valor que
acompanha acadêmicos de todo o mundo, talvez desde quando essa maneira
cientifica de percepção foi concebida, onde tais abraçam suas causas e seus
argumentos de um modo tão ferrenho que ao momento que podem receber novas
maneiras de pensar, estão com uma cegueira possivelmente pior do que a da
ignorância: A cegueira do conhecimento mórbido. Vejamos, Jean-Paul Sartre em
sua vasta obra distinguiu consciência de conhecimento, onde o segundo é a
apreensão dentro de um quarto (espaço) no homem onde guardamos ideias e noções
de algo. Vejamos, a partir do momento que esse conhecimento (o quarto) está
cheio de entulhos, e que cada coisa está ali por uma causa e que mudar uma peça
será talvez motivo para um movimento geral das ideias ali contidas, o ser
possuidor das mesmas se vê num paradoxo onde o conforto, ou a prudência, ou a
mudança são fatores a serem escolhidos. Bem,
uma amostra clara dessa ideia acadêmica mórbida fica a cargo quiçá de um dos momentos
mais belos da ciência, onde Freud e sua “Teoria da Sexualidade” buscou não
desbancar, mas sim de uma forma ferrenha, corajosa e perspicaz situar a ciência
psicológica em um campo até então obscuro. Já diziam os tradicionalistas de sua
época, “dá a noite o que é da noite”, uma forma de inconcebível talvez não por
ignorância, mas por um acúmulo de conhecimento e comodidade, que um homem da
ciência possa proferir tais palavras, mas também como já dito acima, o
conhecimento pode sim ser mórbido. Aqui não está sendo lançado ao vento todos
os séculos de academia e seus brilhantes colaboradores, mas sim indagar até
quanto essa maneira pré-conceituosa, de proteção, e que onde só o intra
disciplinar é o que conta? Temos grandes valores nas ciências gerais. Grandes
mentes que vão a caminho das descobertas e de novos conhecimentos que podem ser
usufruídos por todos, mas que por empecilhos às vezes de títulos que não
possuem, ou excesso de proteção dos que já obtém tais títulos, concepções de
altíssimo nível passam despercebidas por essa forma mórbida que a cúpula tem de
levar a o conhecimento cientifico. Dentro dessa linha de raciocínio é possível
pensar porque o senso comum não é esclarecido, deve-se ao fato que a ciência
ainda não é nem um pouco prudente, mas sim protetora. Essa proteção é desafiada
por homens como Copérnico, Darwin, Freud e tantos outros que ao expor uma nova
forma de visão do mundo assim na tentativa de emolir a tão petrificada ciência mórbida
sofrem as mais diversas represálias. Uns vão dizer que esse é o caminho para a
elaboração de uma ciência com bases confiáveis, mas isso quer dizer que a
academia só faz bem a quem não faz parte dela, pois para os produtores de
conhecimento é um lugar sofrível e que causa náuseas. Progresso científico não
quer dizer evolução da espécie, um dos motivos para tal fato seria a própria
morbidez científica.
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