terça-feira, 23 de julho de 2013

Festivais Pseudo Jazz

Hoje é notável o número de festivais no Brasil e no mundo que levam o termo Jazz no nome. Mas, na realidade parecem mais com festivais culturais e não de Jazz. Então, o que pode estar acontecendo? É culpa da organização, que pela preocupação de trazer público ao evento, insere na programação cantores pop, Dj's, bandas do leste do interior de Madagascar. Nada contra esses profissionais musicais, mas por estarem rotulados a imagem ao jazz, no mínimo devem fazer jazz. Será que é culpa dos artistas que pela ânsia de público aceitam qualquer evento, com qualquer tipo de público? Pode ser a resposta tambem, pois os projetos de lei de incentivo é hoje a maior plataforma politica cultura que existe.E o publico tem culpa? Isso fico claro a partir do momento que toda pessoa gosta de um ou mais gêneros musicais, e que a argumentação “sou eclético” está mais para uma desculpa de não conseguir assimilar nenhum tipo de música, seja ela a mais simples ou a mais complexa. Para diversas pessoas- e hoje pode se dizer em raras exceções, a finalidade do dito festival de Jazz não é a musica e a experiência única que ela traz, e sim que a música é utilizada como pano de fundo para outros tipos de prazeres, como apreciação de vinhos, massas, viagens turísticas e todo tipo de prazer humano. Nada contra a busca de prazeres assim, mas para isso existem festivais de vinho, de gastronomia, eventos de turismo.  É notado que à medida que o tempo passa, o ser humano progride tecnologicamente, as distâncias entre culturas são reduzidas e com isso vamos tentando executar ideias mirabolantes, tentando ser diferentes, ousados, atuais, inovadores. Mas inovadores em que? O grande fascínio pela inovação também é um ponto que acaba perpetuando essa maneira mais cultural dentro de festivais ditos de jazz. Jazz é uma cultura, e essa não pode ser prepotentemente inovada, mesmo quando são produzidos eventos sobre essa forma de viver música somente misturando, juntando, agregando público, espetáculos circenses (para isso existe o circo), montando vários palcos cada um com um nome mais estranho que o outro e com atrações que destoam do que é um festival de jazz. Temos grandes exemplos no passado como o Free Jazz festival, que até meados dos anos 90 era referência em festivais de jazz nacionais e internacionais. É bonito ver as atrações desse festival, pois quem estava neste local sabia que ia escutar jazz, seja qual tipo que for. O ano de 1985 contava com atrações como Bobby McFerrin, Chet Baker, Egberto Gismonti, McCoy Tyner, Pat Metheny, Sérgio Dias, Sonny Rollins, The Ernie Watts Quartet, Uakti sendo isso sim a principal característica de um festival de jazz. Mas o mesmo evento em 2001 já contava com o Dj Fatboy Slim como uma das principais atrações. Será que falta jazz de qualidade no mercado? Com certeza não. Basta acessar os grandes sites especializados para ver que nunca se produziu jazz como agora. E mesmo que fosse escasso o número de artistas,  assistir nomes como Wynton Marsalis, Herbie Hancock, Christain Scott e Brad Mehldau todos os anos não seria ruim, muito pelo contrário. Mas nem tudo está perdido, hoje festivais com BMW Jazz e Rio das Ostras Jazz e Blues são eventos que ainda conseguem ser autênticos festivais do gênero, sem distorcer o que é produzir um festival de jazz. Para uma maior pesquisa sobre o assunto visite as páginas dos maiores festivais de jazz do mundo para um maior esclarecimento.
  

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