Hoje é notável o número de festivais no Brasil e
no mundo que levam o termo Jazz no nome. Mas, na realidade parecem mais com festivais
culturais e não de Jazz. Então, o que pode estar acontecendo? É culpa da
organização, que pela preocupação de trazer público ao evento, insere na
programação cantores pop, Dj's, bandas do leste do
interior de Madagascar. Nada contra esses profissionais musicais, mas por estarem
rotulados a imagem ao jazz, no mínimo devem fazer jazz. Será que é culpa dos
artistas que pela ânsia de público aceitam qualquer evento, com qualquer tipo
de público? Pode ser a resposta tambem, pois os projetos de lei de incentivo é hoje a maior plataforma politica cultura que existe.E o publico tem culpa? Isso fico claro a partir do momento que toda pessoa gosta de um ou mais
gêneros musicais, e que a argumentação “sou eclético” está mais para uma
desculpa de não conseguir assimilar nenhum tipo de música, seja ela a mais
simples ou a mais complexa. Para diversas pessoas- e hoje pode se dizer em
raras exceções, a finalidade do dito festival de Jazz não é a musica e a
experiência única que ela traz, e sim que a música é utilizada como pano de
fundo para outros tipos de prazeres, como apreciação de vinhos, massas, viagens
turísticas e todo tipo de prazer humano. Nada contra a busca de prazeres assim,
mas para isso existem festivais de vinho, de gastronomia, eventos de turismo. É notado que à medida que o tempo passa, o ser
humano progride tecnologicamente, as distâncias entre culturas são reduzidas e
com isso vamos tentando executar ideias mirabolantes, tentando ser diferentes,
ousados, atuais, inovadores. Mas inovadores em que? O grande fascínio pela
inovação também é um ponto que acaba perpetuando essa maneira mais cultural
dentro de festivais ditos de jazz. Jazz é uma cultura, e essa não pode ser prepotentemente inovada, mesmo quando são produzidos eventos sobre essa forma
de viver música somente misturando, juntando, agregando público, espetáculos
circenses (para isso existe o circo), montando vários palcos cada um com um
nome mais estranho que o outro e com atrações que destoam do que é um festival
de jazz. Temos grandes exemplos no passado como o Free Jazz festival, que até
meados dos anos 90 era referência em festivais de jazz nacionais e
internacionais. É bonito ver as atrações desse festival, pois quem estava neste
local sabia que ia escutar jazz, seja qual tipo que for. O ano de 1985 contava
com atrações como Bobby McFerrin, Chet
Baker, Egberto Gismonti, McCoy Tyner, Pat Metheny, Sérgio Dias, Sonny Rollins,
The Ernie Watts Quartet, Uakti sendo isso sim a principal característica de um
festival de jazz. Mas o mesmo evento em 2001 já contava com o Dj Fatboy Slim
como uma das principais atrações. Será que falta jazz de qualidade no mercado?
Com certeza não. Basta acessar os grandes sites especializados para ver que
nunca se produziu jazz como agora. E mesmo que fosse escasso o número de
artistas, assistir nomes como Wynton
Marsalis, Herbie Hancock, Christain Scott e Brad Mehldau todos os anos não
seria ruim, muito pelo contrário. Mas nem tudo está perdido, hoje festivais com
BMW Jazz e Rio das Ostras Jazz e Blues são eventos que ainda conseguem ser autênticos festivais do gênero, sem distorcer o que é produzir um festival de
jazz. Para uma maior pesquisa sobre o assunto visite as páginas dos maiores
festivais de jazz do mundo para um maior esclarecimento.
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